Quem deve dirigir o clube?
7 Fevereiro

Quem deve dirigir o clube?

A nossa primeira frase será um pedido de desculpas pela prepotência da segunda. Se há algum texto desta coluna que deve ser lido por toda a liderança da Igreja, é este. Por quê? Bem, descobriremos o porquê.

Chega o fim do ano e logo as igrejas se reúnem para eleger comissão de nomeações, que irá se juntar para apontar os oficiais do ano ou anos seguintes, conforme a duração dos mandatos adotada por cada congregação. Eu já estive presente em diversas dessas ocasiões, conheço a dinâmica, bem como vários equívocos que não raro podem ocorrer. Desde o primeiro amor ao neófito habilidoso que é presenteado com cargos, ao erro de eleger alguém totalmente inapto para determinada função. É justamente por conta deste último que começo o texto indicando sua leitura para a liderança.

Embora a maioria dos cargos não exija tanto conhecimento anterior, nós sabemos que não é qualquer pessoa que deve assumi-los. O Apóstolo Paulo disserta em I Coríntios, capítulo 12 a respeito da diversidade de dons existentes com o único propósito de edificar a igreja e é por isso que não é qualquer senhor ou jovem que tem a capacidade de assumir o ancionato, por exemplo. Não se deve eleger para liderar a sonoplastia alguém que jamais se aproximou de uma mesa de som. Existe sabedoria na decisão de apontar para diretor de comunicação alguém que tenha pavor de microfone? Talvez você esteja discordando de mim e afirmando que o diretor do departamento pode passar o ano delegando tarefas e jamais assumir a linha de frente, mas terá que concordar que conhecimento é essencial.

Existem cargos que são praticamente técnicos e suas execuções são totalmente dissonantes de outros. Tesouraria e Secretaria, que dentre outras habilidades depende de conhecimento de informática são exemplos, mas nada se compara aos clubes, seja de Jovens, Desbravadores ou Aventureiros, pois são praticamente instituições dentro da instituição Igreja Adventista do 7º Dia. Estes departamentos são tão complexos em seus funcionamentos que possuem manuais próprios para regulamentação de uniformes, classes, especialidades e administrativos, além de seus programas de formação de liderança. Haveria cabimento de clubes que já possuem certo tempo de funcionamento e estruturação serem entregues a dirigentes sem experiência anterior?

Quando o clube está começando em uma localidade onde não há material humano capacitado, a capacitação se dá pela execução dos trabalhos e treinamentos oferecidos pelo Campo. Nessa situação, entende-se a eleição de alguém inexperiente, mas com o passar do tempo e a evolução do grupo nas atividades é inerente que a equipe da direção se capacite, cumpra as classes e que algumas pessoas desenvolvam as habilidades necessárias para liderar, criando assim um contingente capaz de suceder aqueles que forem deixando a direção.

No entanto, ocasionalmente ocorre de em algumas igrejas, comissões de nomeação indicarem pessoas de fora desse quadro, ou do próprio, mas que não tenham a bagagem necessária para fazer o clube andar como deve. Infelizmente, não há consulta aos membros e aos líderes do departamento. Simplesmente alguém é apontado, aprovado pela Igreja e escolhido para dirigir o clube. Peço que entendam que não estou questionando a autoridade da comissão de nomeação para indicar os oficiais, pelo contrário, eu afirmo esta prerrogativa. Contudo, por serem departamentos de alta complexidade, seria de grande eficácia que os membros dos clubes fossem consultados, mesmo que de modo informal, alguns dias antes da reunião. Seria menos trabalhoso para o próprio pastor informar-se com o coordenador regional ou distrital quem dentre os líderes tem capacidade para a função, afinal de contas, estes oficiais representam o Campo.

O problema reside nessa falta de comunicação, em deixar de usufruir dos serviços praticamente técnicos dos regionais/distritais e, principalmente, ao fator humano. A que me refiro? Sabemos que cada pessoa tem aqueles por quem tem certo carinho e não raro acontece que este relacionamento de amizade acabe por influenciar a indicação. Por favor, não negue esse fato.

Ocorre também que alguns nomes são rejeitados, não pela falta de aptidão, mas pela opinião contrária de alguém que relativamente exerça influência sobre outros e assim, termina por conduzir o resultado de uma votação. Há casos também, quase que invariavelmente, de pessoas que embora não sejam tão ou nada aptas para determinadas funções, gozarem certo prestígio dentro da congregação e assim, pelo seu carisma, serem eleitas. Acontece. O ser humano muitas vezes é tendencioso sem ao menos perceber.

Deixo a sugestão de que no momento de escolher quem vai dirigir o clube, seja levada em conta a opinião do clube, dos regionais, que estão inteirados não somente de quem é capaz de assumir a direção, bem como quem realmente rende no serviço e quem fica apenas à sombra dos outros, usufruindo comodidade.  Fazendo isso ao menos como consulta, para que no momento na reunião, hajam nomes dos quais a capacidade será algo comprovado e opinado e não meramente especulado e nem pelo resultado de influência ou prestígio.

Nosso modus operandi é bastante complexo, nossos resultados são muito relevantes para a obra do Evangelho, logo, colocar à frente de um clube quem não está apto para tal, é brincar com a salvação de alguém, pois boa vontade sempre é bem vinda, mas não é o bastante.

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