E quando os adolescentes erram?
13 dezembro

E quando os adolescentes erram?

Sabe aquela turminha de 14 e 15 anos (às vezes até de 13)? Aqueles indivíduos chamados adolescentes? Sabe? Pois é… Criaturinhas complicadas, né? Sem florear as coisas, essa é a idade que dá mais trabalho para os adultos; e eu que já passei por ela, vi três irmãs e uma fila de primos também passar, posso dizer com todo o conhecimento de causa: precisa ter sangue de barata pra lidar com eles.

Vou usar meu próprio exemplo: contestador, chato, ensimesmado, etc. Eu achava que era de aço e me sentia o sábio experiente, que as regras não eram úteis  e que meus pais e líderes não estavam com nada. Eu sempre estava certo e sabia muito mais que eles. Você que já passou por essa etapa da vida conseguiu se enxergar em minha autodescrição? Ou viu algum dos adolescentes de seu Clube? Pois então você sabe muito bem como é, principalmente quando se trata de aplicar medidas disciplinares.

Adolescentes fazem parte da parcela de cristãos mais expostos ao mundo (em relação à tentação), e isso acontece porque é nessa faixa etária que as coisas mundanas parecem ser mais brilhantes e convidativas. A puberdade, mudanças nos corpo e na cabeça, paixões e paixonites, amizades e a convicção de ser um super humano são os ingredientes perfeitos para formar um comportamento instável e delicado. É nessa idade que o mundo chama  por eles cada vez mais alto, justamente quando o adolescente está prestes a fazer a transição para a liderança e nós, camisas brancas, começamos a ver e torcer por esses futuros líderes. Mas não é raro observarmos saídas do Clube mesmo antes dos 16 anos, e muitas vezes por isso começamos a dar um tratamento especial, na esperança de que o lenço seja um nó que o ate de vez ao ministério. Mas, e quando esses adolescentes complicados e promissores erram?

Imagine um(a) Desbravador(a) de quinze anos, que recebeu a insígnia de excelência nos últimos dois anos e que está prestes a mantê-la de forma permanente. Mas, que de uns meses pra cá tem andando somente com más companhias e de vez em quando levando mais um coleguinha do clube junto. Está desobediente, respondão e faltoso nas reuniões. Chegam queixas da escola, de casa e da rua a respeito de seu comportamento. Na Igreja, os diáconos precisam várias vezes pedir que entre para o culto. As atividades do clube não são feitas. E agora? Como agir? Trata-se de um indivíduo vivendo a fase mais complicada da vida e com hormônios fervendo à flor da pele e que você pode perder por conta de um mínimo puxão de orelha.

Passará a mão pela cabeça e deixará por isso mesmo? Não. Vai jogar tudo na cara dele e dizer tudo o que muitos acham que devem? Não. Este é o momento de acolher quem está em dúvida, de mostrar que se importa e que está ali para ajudar além de ser uma mão amiga. Está na hora de ser realmente cristão. Logicamente você não poderá deixar por isso mesmo e permitir que ele ou ela prossiga fazendo o que tem feito de errado, mas as palavras devem ser medidas. Antes de ir conversar a respeito do problema tenha em mente uma questão: punir surtirá efeito positivo ou negativo?

Seja qual for a situação, primeiramente é necessário fazer com que o adolescente sinta-se importante e que tem amigos no clube para ajuda-lo. Questione a respeito do que ele sente pelo Clube, sempre valorizando as experiências vividas até então para assim levar essa criaturinha complicada a sentir que ele precisa estar no Clube de Desbravadores, mas que precisa mudar para estar. Procure saber se essa rebeldia não é proveniente de outro problema que está sendo confundido com indisciplina. Talvez você tenha em sua frente um caso de depressão ou déficit de atenção que podem tê-lo levado a extravasar seu stress dessa forma. Tenha certeza de que se for algo assim, ou mesmo que seja questão de mau comportamento, a sua amizade e compreensão estarão à disposição, você deve despertar confiança. As punições serão cada vez menos necessárias e você estará ganhando um futuro líder.

As influências externas são muito fortes, pois com certeza são a válvula de escape para a tensão que adolescente pode estar sofrendo, porém, são apenas paliativos que necessitarão ser usados mais e mais. Por isso, você precisará estar forte também para disputar esse cabo de guerra. Se conseguir ganhar a confiança dele, irá aceitar as punições inerentes pelo código de disciplina e permanecerá no Clube, que por sua vez tem todo um programa para ajudá-lo a superar seus problemas nessa fase tão delicada da vida. Confiança é a palavra certa!

Mas, e se tudo o que fizer não resultar em nada? E se o comportamento dessa criatura abençoada não mudar? Infelizmente você não poderá passar-lhe a mão pela cabeça e fingir que ele realmente quer algo com o Clube. Lembre-se: tradições e costumes mudam e são negociáveis, mas princípios são imutáveis e em hipótese alguma podem ser quebrados, vilipendiados ou deixados de lado somente para segurar alguém no clube. É triste, mas quem lidera deve estar preparado para situações em que precisará desistir – ainda que temporariamente – de alguém. Continue orando e mantenha, na medida do possível, a aproximação e a confiança, pois mesmo que nesse momento seja necessário punir, as portas do Clube jamais estarão fechadas.

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